Hoje é dia de falarmos de varejo de vizinhança.
Se formos pensar na história do varejo de vizinhança no Brasil certamente nos remetemos a década de 60 com o surgimento de diversas redes varejistas autosserviço pelo país, mas gostaria de pedir permissão para os senhores para dar início a nossa história a partir da década de 70 quando duas das principais redes varejistas na época, Pão de Açúcar e Bompreço, representados pelos seus líderes máximos, Abílio Diniz e João Carlos Paes Mendonça, em reunião com o então ministro da fazenda, Delfim Netto, decidem lançar lojas hard-discount no Brasil com base em boas práticas oriundas da Europa, Aldi e Lidl. Surgem as marcas varejistas Balaio em Pernambuco, Grupo Bompreço, e Minibox em São Paulo, da então CBD, hoje GPA.
Pois é meus amigos, este foi o início das lojas de desconto em nosso país.
Antes de continuarmos falando de lojas de desconto em nosso país vamos falar das mesmas no Mundo. Lidl e Aldi, de origem alemã, hoje fazem verdadeiro estrago em varejistas das terras da Rainha Elizabeth II. Os espanhóis do Dia% seguem conquistando terras brasileiras, Portugal e Argentina. Para quem não sabe na América Central existem 2 excelentes exemplos, Pali na Costa Rica e Despensa Familiar na Guatemala. Por fim o Mi Bodega mexicano, uma derivação das Bodegas do Walmart Mexicano.
Agora vamos voltar para o Brasil. As lojas de desconto retomaram a história em nosso país com a entrada do Dia% em terras brasileiras, em 2001 e com o ressurgimento da bandeira Balaio em Pernambuco no mesmo ano.
Após 18 anos o Dia% possui mais de 1.200 lojas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, com um modelo de expansão misto entre lojas próprias e franquias.
O Balaio, virou TodoDia, hoje possui aproximadamente 150 lojas em 10 estados brasileiros, mas verdadeiramente se destacou na região Nordeste do país, onde hoje é a bandeira de lojas do varejo alimentar com a maior quantidade de lojas.
Tanto o Balaio quanto o Dia% sentiram necessidade de se adequar ao consumidor brasileiro. Em um primeiro momento o Balaio surgiu como um típico hard discount e não prosperou. A volta por cima aconteceu quando passou a se posicionar como soft discount. Mesmo o Dia%, para operar em terras brasileiras sentiu necessidade de ser menos Hard.
Tecnicamente as lojas de desconto se dividem em dois formatos, a seguir:
Hard Discount
- lojas com aproximadamente 800 skus (itens);
- Perecíveis extremamente limitado, algumas vezes sem operar setores como padaria e açougue;
- baixíssimo nível de atividade promocional;
- preços extremamente baixos;
- área de vendas com até 400 m2;
- total ausência de serviços.
Soft Discount
- lojas com até 3.200 skus (itens);
- Perecíveis mais robusto que o modelo hard discount, operando com setores como padaria, açougue e hortifruti;
- possuem atividade promocional;
- preços baixos, mas em média 5% acima do modelo hard discount;
- área de vendas com até 800 m2;
- aceitam cartões de crédito e possuem um certo nível de atendimento em setores de perecíveis.
Tanto o hard discount quanto o soft discount dependem de uma logística própria e a empresa que desejar investir no mesmo deverá ter como estratégia genérica a liderança de custos. Atualmente somente o Dia% atende a estes 2 requisitos básicos.
Os dois formatos podem atuar em toda a pirâmide econômica, respeitando adequações necessárias em relação a esta pirâmide como também adequações a regionalidade.
Sinto-me confortável para falar destes formatos. Operei hard discount por 2 anos e soft discount por 9 anos.
Grande abraço e nos encontramos nas lojas.
Demétrio Magnani