Hoje é dia de falarmos de varejo de vizinhança.
Se formos pensar na história do varejo de vizinhança no Brasil certamente nos remetemos a década de 60 com o surgimento de diversas redes varejistas autosserviço pelo país, mas gostaria de pedir permissão para os senhores para dar início a nossa história a partir da década de 70 quando duas das principais redes varejistas na época, Pão de Açúcar e Bompreço, representados pelos seus líderes máximos, Abílio Diniz e João Carlos Paes Mendonça, em reunião com o então ministro da fazenda, Delfim Netto, decidem lançar lojas hard-discount no Brasil com base em boas práticas oriundas da Europa, Aldi e Lidl. Surgem as marcas varejistas Balaio em Pernambuco, Grupo Bompreço, e Minibox em São Paulo, da então CBD, hoje GPA.
Estas duas marcas, Balaio e Minibox, eram típicas lojas hard-discount, sortimento de 800 skus, espartanas em perecíveis e em serviços de uma forma geral. Prosperaram durante a década de 70 e parte da década de 80 e experimentaram o declínio a partir do final da década de 80 e início da década de 90. Definitivamente as grandes redes não conseguiram frear o crescimento dos mercadinhos de bairro, que passaram a praticar preços mais competitivos. Com o fechamento destas operações boa parte dos pontos comerciais foram negociados com os chamados mercadinhos de bairro.
Hoje, após 40 anos, percebemos as grandes redes ainda tentando entrar neste mercado. O Walmart, comprador da rede Bompreço de Supermercados, tendo sucesso com a rede TodoDia na região Nordeste no país com o formato soft-discount orientado para as classes CD, o GPA com as bandeiras com o Minuto Pão de Açúcar, que vai muito bem, e Mini Extra e Carrefour com as bandeiras Carrefour Express e Carrefour Market, ambas orientadas para o público BC. Ah, e quanto ao Dia%? Certamente mais um formato de vizinhança, uma vez que a proximidade é um importante atributo para o formato, que por sinal faz um enorme sucesso em terras brasileiras.
Grande abraço e nos encontramos nas lojas.
Demétrio Magnani